Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vamos lá ter um bebé!

Achavam que iam encontrar resposta para os dramas da maternidade? Não! Este blog conta a experiência de 2 pais inexperientes que ainda estão aprender a diferença entre body e babygrow. Prometemos doses de riso e muito amor!

Vamos lá falar de um bebé com refluxo.

Ando há dias, meses, para escrever sobe esta aventura que está a ser esta minha 2ª filha, diagnosticada com refluxo acentuado quando tinha 2 meses.

Acho que está na altura de partilhar com outros pais a nossa experiência - mesmo que sem qualquer solução...apenas com o intuito de dizer "hey, não são os únicos!" - algo que por mais estupido que seja, acaba por ser reconfortante.

 

Desde que tem 10 dias que a minha filha chora compulsivamente sem razão aparente.

No início, achámos que fossem cólicas porque tinha muita dificuldade em fazer cocó, mas com o passar dos dias percebemos que de outra coisa qualquer se tratava. Comia, arrotava e ficava a berrar até voltar a comer - e isto é loop durante dia e noite.

Todos sabemos que um bebé a seguir a comer fica mole, tranquilo, satisfeito.. a não ser que, como indicou na altura a pediatra, ela não tivesse a ser alimentada suficientemente.

Vai de lhe enfiar um biberão pela goela a seguir a mamar para ver se a miúda se acalmava. O meu leite, aparentemente, não era suficiente e isso deixava-a doida de fome. 

 

Mentira.

 

Por mais biberões que lhe dessemos ela ficava sempre aos gritos, completamente perdida... ela e nós.

 

Passavam os dias, e eu já sem leite porque estava claramente a apostar as minhas fichas no biberão, a miuda começou a ser alimentada exclusivamente a leite de lata. E, com cerca de 1 mês, começa a vomitar em jato o leite todo após a refeição. Uma, duas, três vezes ao dia. Berros de meia noite. Um bebé infeliz. Uns pais perdidos. Uma irmã mais velha estoirada.

 

Não vou entrar em pormenores de como chegámos à conclusão do refluxo, mas fizemos várias ecografias, vários exames médicos, várias análises, ela chegou a ficar internada a soro, e nada. Ninguém via nada, ninguém disgnosticava nada. Acabavam sempre a mandar-nos para casa com palmadinhas nas costas e palavras e força para continuar.

Ora nem as palmadinhas nem as palavras ajudam. E mandarem um bebé que está constantemente a vomitar para casa é um CRIME, Senhores Médicos deste Portugal. 

 

Mas nós, pais com uma intuição fora do normal, não páramos enquanto não descobrimos o que se passava com ela. Fomos a uma médica de gastro pediátrica, Dr. Piedade Sande Lemos, que supostamente é incrivel e não há nada como um médico INCRÍVEL.

Em apenas 30 segundos de conversa, onde descrevi vários comportamento que eu achava "estranhos" na miúda, ela fez o diagnóstico e recomendou-me uma médica específica da CUF Cascais onde deveria ir fazer a ecografia - já lá tinha estado há uns dias nas urgências a fazer a mesma ecografia mas com uma médica diferente que me mandou a criança para casa porque não via nada..

E assim foi, uma ecografia BEM FEITA que demonstrou vários episódios de refluxo e uma criança que tinha de ser imediatamente medicada pois não estava a engordar há quase duas semanas. 

A medicação, não acaba com os vomitares/bolsares, diminui apenas o mau estar do bebé. É como um "Prazol" da vida, regula os ácidos do estômago e faz com que a miúda não sofra tanto quando o leite vem para cima. 

 

Sintomas de Refluxo:

  • Irratibilidade ao longo de todo o dia e noite
  • Choro compulsivo depois das refeições e quando posta na horizontal
  • Muitos arrotos
  • Soluços constantes
  • Tosse (como se tivesse sempre qualquer coisa na garganta a incomodar)
  • Vómitos e bolsares exagerados
  • Desinteresse pelas refeições

 

Supostamente, e segunda a médica, a válvula que separa o estômago do esófago não trabalha bem e só com 1 ano de idade, se nada mudar, é que se vai perceber se era apenas imaturidade do sistema ou se é alguma anomalia genética mais chata.

Até lá, os conselhos que posso dar a quem esteja a passar pela mesma situação, e que surgem desta experiência de quase 5 meses disto são:

 

  • Cabeceira da cama levantada o mais possível
  • Mudar a fralda antes das refeições
  • Arrotar sempre depois das refeições 
  • Ficar com o bebé direito ao colo durante uns bons minutos depois de comer
  • Não abanar muito a criança, evitar andar com o carrinho na bela da calçada portuguesa
  • Babywearing é uma boa compra
  • Sessões de osteopatia para relaxar os músculos do estômago que estão em constante esforço e tensão [Osteopraxis]
  • Muita cafeína e ajuda de avós porque as noites são um verdadeiro pesadelo

 

Tudo isto ajuda a atenuar, mas confesso que nada disto acaba com o refluxo. Aqui por casa cada dia é um dia, há dias melhores em que dormimos 3 horas seguidas, outros tão maus que não chegamos a pregar olho uma única hora durante a noite. 

 

Têm sido meses de cansaço extremo, privação de sono, frustação e muitas lágrimas. Só resta acreditar que tudo vai passar e que, talvez, só talvez, hoje a noite seja melhor.

 

A mãe, exausta.

 

A 1ª Sinfonia de Di

Qual gravidez hormonal, qual parto ou qual 1ª semana. O verdadeiro bicho papão de ter um bebé é claramente a Cólica!

Claro que as outras situações são complicadas e têm o seu grau de preocupação e desafio, mas as cólicas são mais que uma situação, são uma fase da nossa vida enquanto pais, enquanto família e enquanto pessoas de mente sã.

 

(desabafo em tom de raiva assassina passiva)

E ir a um pediatra não traz nenhum valor porque todos os truques que eles dizem para fazer não são reais soluções mas sim formas de distrair os pais, porque eventualmente as cólicas vão passar e nós pais (especialmente de primeira apanha) mal acreditamos nisso. 

(fim de desabafo em tom de raiva assassina passiva)


A coisa começou a demonstrar-se quando a Di não conseguia fazer bem cocó, chorava muito sem razão aparente.. ora qualquer corpo de 50cms vai se queixar se entrar comida 6 vezes ao dia e não tratar de deitar isso fora! Pois uma cânula de bebegel é o suficiente, não é? Aí começou a chatice... mesmo depois de cocó, puns, arrotos, dormir, comer, mudar a fralda e vários sons e movimentos que me fizeram por vezes sentir medo que alguém estivesse a filmar, ela continuava a chorar.

O choro é difícil de descrever mas eu vou tentar (puxem pela a vossa imaginação) 

Imaginem que estão num concerto de música clássica e numa sala linda com um palco espectacular com um cenário tão bonito que até emociona. A primeira nota de música que ouvem é um violino todo desafinado que parece que alguém está a raspar com o garfo no prato e logo passados 5 segundos esse violino é acompanhado por mais 5 parceiros violinos desafinados, cada um no seu tom, cada um com o seu garfo no prato.

Do nada um grupo de trompetes começa a tocar por cima dos violinos. Desafinando dos violinos mas não entre si e elevando volume concerto para 10xs o número de decibéis.

Quando achamos que os trompetistas não têm mais fôlego eles espantam-nos e mantêm o ritmo e o volume por um tempo que parece eterno.

Passados 15 minutos desta anti-sinfonia o nosso coração aperta e parece que mil tambores descoordenados começam a tocar desnorteando todo e qualquer réstia de raciocínio que existia levando a cabeça a desesperar e extraordinariamente a conseguir ultrapassar o limite daquilo que achamos que era a nossa capacidade de desespero para um nível que nem sabíamos que existia.

Quando a cortina se fecha e concerto acaba parece que o silêncio nos esmaga e ficamos parvos sentados na cadeira sem saber onde é a saída à espera da próxima sessão.

 

 


Ora claro que - "mas olhem que os bebés choram" - pode levar uma mãe a ficar assassina.. eu tive dias que cheguei a casa e a mãe estava lavada em lágrimas porque ela não parava de chorar. O sofrimento que é ver a nossa filha em claras dores de barriga e a contorcer-se toda enquanto se estica e encolhe como uma mola sem poder fazer nada é indescritível.

Para além disso chegar a casa do trabalho às 19h e ainda ver a mãe em claro desespero porque "ela ainda não parou de chorar desde as 15h da tarde" é de partir o coração. Tudo em modo repeat por 3 meses.

Podem até dizer que estou a exagerar mas temos alguns amigos e amigas com bebés e nenhum deles chora desta forma e com esta regularidade. A verdade é que as cólicas consideradas intensas são "2 horas 2 dias por semana" como nos disse uma pediatra. A nossa filhota manda esses números para dentro de um sapatinho dos dela.

Tentámos tudo e fomos a todo o lado, passo a enumerar:
- Pediatra número 1 diz que isso é normal e deve passar portanto para mudar de leite
- Comprámos aero om (não sei como se escreve e honestamente chamo lhe de "o milagre" porque é capaz de calar o choro sempre por 1 ou 2 mins)
- Mudámos o leite para um dos comfort (comfort = faz mais cocó) e nada muda
- Comprámos 1 remédio de cólicas e nada muda
- Mudámos de leite outra vez e nada muda
- Comprámos outro remédio de cólicas e nada muda
- E comprámos outro remédio de cólicas e nada muda
- Pediatra número 2 diz que cólicas é caso raro e basicamente "não sejam maricas e nem percebo as pessoas que dão aero om ou remédios para as cólicas, mas de qq forma mudem de leite"
- Mudámos de leite nada muda
- Pediatra número 3 diz que é melhor mudar de leite mas mais vez nenhuma porque não se deve mudar o leite assim tanto
- Mudámos para um AR (anti refluxo) e ela melhora... por 2 dias e depois é mais do mesmo concerto, nada muda 
- Perdemos a cabeça e entrámos no submundo do remédio das cólicas e pedimos para nos enviarem coisas que não se vendem em Portugal - (quando chegas ao ponto do contrabando de remédios percebes que estás no limite da tua sanidade mental. Ass: Mãe). 
- Entretanto vamos a uma Pediatra especialista em gastro que nos arruma ao canto com "a minha função aqui é dizer-vos que isso eventualmente vai passar e que infelizmente é a aguentar porque os remédios para as cólicas não fazem nada, podem dar à vontade, mas não fazem nada. Só para tirar as teimas vamos fazer 15 dias de leite de arroz, não vá ela ser alérgica a uma proteína do leite de vaca"
- Mudámos o leite e não só não mudou nada mas ela ficava com fome porque se habituou ao AR e deste ela não bebe (e cheira mal também por isso ainda bem que este não funcionou)
- Começámos a dar um dos remédios clandestinos e nada muda
- Depois demos o famoso Infacol, o outro remédio clandestino
- E fomos a uma osteopata que nos disse que a nossa filha tinha plagiocefalia que é uma condição bastante comum. Pode até afectar nervos que vão da cabeça para o estômago e provocar problemas de intestinos (TIPO CÓLICAS!) e de estômago que se curam.

Depois disso passou, acabou - QUASE - que totalmente e como que um amanhecer depois de uma noite de tempestade a nossa filha mudou de personalidade. De um bebé vezes demais triste e em sofrimento passou a fazer sorrisos e a palrar uns sons estranhos que repetimos religiosamente numa tentativa de falar língua de bebé.

Agora se foi o Infacol, se foi a osteopata, se simplesmente "está a passar" ou se foi a macumba que pedimos para fazer a uma bruxa não sabemos. Mas não mudámos nada desde então, o leite é Nutriben AR, o Infacol é mesmo antes do leite e já fizemos duas sessões de osteopatia e pelo menos mais duas virão.

A todos os pais que passem pelo filme de cólicas intensas digo o seguinte: não atirem o bebé pela janela, não desistam de procurar a rotina que faz com que o vosso bebé tenha uma personalidade feliz e, acima de tudo, acreditem que isso vai passar (nós pelo menos acreditamos que vai passar! :P).

O pai.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub