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Vamos lá ter um bebé!

Achavam que iam encontrar resposta para os dramas da maternidade? Não! Este blog conta a experiência de 2 pais inexperientes que ainda estão aprender a diferença entre body e babygrow. Prometemos doses de riso e muito amor!

Uma ode ao Pai.

Para adicionar aos 9 da gravidez já lá vão 3 meses de bebé o que completa 1 aninho nisto.

Não vos vou maçar com uma listagem infidável de todas as coisas que mudaram neste último ano.
Todos sabem que quase tudo muda.
Umas coisas tenho muitas saudades, outras nem tanto, umas coisas são muito melhores agora, outras nem tanto.
Um coisa é certa esta miúda mudou as nossas vidas e desde que vi aquele tracinho positivo no teste de gravidez que nasceu em mim um amor mais que incondicional. Um amor sem fim.
 
Não, não vos vou maçar com isto.
Este post não é um queixume, uma sátira ou uma crítica. Este post não é para rir, nem para chorar.
Este post é um agradecimento ao pai da minha filha.
 
Vamos a isso!
 
Querido pai-maridão,
 
Obrigada pelo abraço quando o teste de gravidez deu positivo. Obrigada por todos os abraços desde então.
 
Obrigada pela paciência quando o meu cérebro estava um bocadito mais lento durante os 9 meses de gravidez. Um bocadito, era só um bocadito não te estiques.
 
Obrigada por tomares conta de mim quando tinha as minhas maleitas de grávida. Quando tive dores, quando estava cansada, quando estava incomodada e, já no fim fim, algo farta.
 
Obrigada por teres aturado o meu outro lado - a hormona. Mesmo quando chorava compusivamente a insistir que "mais vale não sermos felizes para nunca sofrermos". Está agredecido publicamente portanto chega de me lembrares desta infeliz observação, ok?
 
Obrigada por me teres trazido flores sempre que desconfiavas que era mesmo o que eu estava a precisar. Keep on doing it!
 
Obrigada por dizeres que eu estava impecável mesmo com mais 17 kilos em cima. O amor é mesmo cego, caramba!
 
Obrigada por transportares uma casa às costas enquanto nos mudávamos em pleno agosto, com 40 graus à sombra e eu com um barrigão equiparado ao do senhor do Preço Certo.
 
Obrigada por me fazeres massagens todos os dias sem refilares muito. Já pedi ao universo para te compensar, juro.
 
Obrigada, obrigada .................. E depois, assim de repente, um aperto, outro aperto, outro aperto... oh meu deus 1 aperto em cada 6 minutos. São contrações! A diana vai nascer!
 
Obrigada (e este agora é mesmo cá do fundo!) por me teres segurado a mão durante as primeiras 10 horas de trabalho de parto sem epidural. Desculpa (e este também é cá do fundo!) por te ter quase partido os dedos de tanta força que fiz.
 
Obrigada por teres estado lá nesse dia, assim, tão presente. Obrigada pelas lágrimas de amor quando a Diana deu o grito para a vida. Foi do caraças han?
 
Obrigada pelos primeiros dias. Mais precisamente pelos primeiros 15 dias. Foram tão duros e tu foste tão meigo. Cuidaste de nós como se fossemos o maior tesouro do mundo. Eu senti e ela também.
 
Obrigada por fazeres de tudo para chegares a casa sempre a tempo de lhe dar banho. Um dia vou-lhe contar. Prometo.
 
Obrigada por alinhares nas minhas missões noturnas e cortares-lhe as unhas às 4 da manhã. Probrezinha estava mesmo a precisar
 
Obrigada por conseguires escolher roupa a condizer para a nossa filha e não a vestires com 7 tons de azul diferentes. Estás um homem mudado.
 
Obrigada por, passado 3 meses, já por vezes seres tu a lembrar-te de lhe pôr a água de colónia.
 
Obrigada por tantas outras coisas que te agradeço todos os dias.
 
Obrigada por cuidares de mim e por cuidares dela. Prometo que lhe vou contar.
 
Obrigada por seres o pai da minha filha.
 

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A mãe.

A 1ª Sinfonia de Di

Qual gravidez hormonal, qual parto ou qual 1ª semana. O verdadeiro bicho papão de ter um bebé é claramente a Cólica!

Claro que as outras situações são complicadas e têm o seu grau de preocupação e desafio, mas as cólicas são mais que uma situação, são uma fase da nossa vida enquanto pais, enquanto família e enquanto pessoas de mente sã.

 

(desabafo em tom de raiva assassina passiva)

E ir a um pediatra não traz nenhum valor porque todos os truques que eles dizem para fazer não são reais soluções mas sim formas de distrair os pais, porque eventualmente as cólicas vão passar e nós pais (especialmente de primeira apanha) mal acreditamos nisso. 

(fim de desabafo em tom de raiva assassina passiva)


A coisa começou a demonstrar-se quando a Di não conseguia fazer bem cocó, chorava muito sem razão aparente.. ora qualquer corpo de 50cms vai se queixar se entrar comida 6 vezes ao dia e não tratar de deitar isso fora! Pois uma cânula de bebegel é o suficiente, não é? Aí começou a chatice... mesmo depois de cocó, puns, arrotos, dormir, comer, mudar a fralda e vários sons e movimentos que me fizeram por vezes sentir medo que alguém estivesse a filmar, ela continuava a chorar.

O choro é difícil de descrever mas eu vou tentar (puxem pela a vossa imaginação) 

Imaginem que estão num concerto de música clássica e numa sala linda com um palco espectacular com um cenário tão bonito que até emociona. A primeira nota de música que ouvem é um violino todo desafinado que parece que alguém está a raspar com o garfo no prato e logo passados 5 segundos esse violino é acompanhado por mais 5 parceiros violinos desafinados, cada um no seu tom, cada um com o seu garfo no prato.

Do nada um grupo de trompetes começa a tocar por cima dos violinos. Desafinando dos violinos mas não entre si e elevando volume concerto para 10xs o número de decibéis.

Quando achamos que os trompetistas não têm mais fôlego eles espantam-nos e mantêm o ritmo e o volume por um tempo que parece eterno.

Passados 15 minutos desta anti-sinfonia o nosso coração aperta e parece que mil tambores descoordenados começam a tocar desnorteando todo e qualquer réstia de raciocínio que existia levando a cabeça a desesperar e extraordinariamente a conseguir ultrapassar o limite daquilo que achamos que era a nossa capacidade de desespero para um nível que nem sabíamos que existia.

Quando a cortina se fecha e concerto acaba parece que o silêncio nos esmaga e ficamos parvos sentados na cadeira sem saber onde é a saída à espera da próxima sessão.

 

 


Ora claro que - "mas olhem que os bebés choram" - pode levar uma mãe a ficar assassina.. eu tive dias que cheguei a casa e a mãe estava lavada em lágrimas porque ela não parava de chorar. O sofrimento que é ver a nossa filha em claras dores de barriga e a contorcer-se toda enquanto se estica e encolhe como uma mola sem poder fazer nada é indescritível.

Para além disso chegar a casa do trabalho às 19h e ainda ver a mãe em claro desespero porque "ela ainda não parou de chorar desde as 15h da tarde" é de partir o coração. Tudo em modo repeat por 3 meses.

Podem até dizer que estou a exagerar mas temos alguns amigos e amigas com bebés e nenhum deles chora desta forma e com esta regularidade. A verdade é que as cólicas consideradas intensas são "2 horas 2 dias por semana" como nos disse uma pediatra. A nossa filhota manda esses números para dentro de um sapatinho dos dela.

Tentámos tudo e fomos a todo o lado, passo a enumerar:
- Pediatra número 1 diz que isso é normal e deve passar portanto para mudar de leite
- Comprámos aero om (não sei como se escreve e honestamente chamo lhe de "o milagre" porque é capaz de calar o choro sempre por 1 ou 2 mins)
- Mudámos o leite para um dos comfort (comfort = faz mais cocó) e nada muda
- Comprámos 1 remédio de cólicas e nada muda
- Mudámos de leite outra vez e nada muda
- Comprámos outro remédio de cólicas e nada muda
- E comprámos outro remédio de cólicas e nada muda
- Pediatra número 2 diz que cólicas é caso raro e basicamente "não sejam maricas e nem percebo as pessoas que dão aero om ou remédios para as cólicas, mas de qq forma mudem de leite"
- Mudámos de leite nada muda
- Pediatra número 3 diz que é melhor mudar de leite mas mais vez nenhuma porque não se deve mudar o leite assim tanto
- Mudámos para um AR (anti refluxo) e ela melhora... por 2 dias e depois é mais do mesmo concerto, nada muda 
- Perdemos a cabeça e entrámos no submundo do remédio das cólicas e pedimos para nos enviarem coisas que não se vendem em Portugal - (quando chegas ao ponto do contrabando de remédios percebes que estás no limite da tua sanidade mental. Ass: Mãe). 
- Entretanto vamos a uma Pediatra especialista em gastro que nos arruma ao canto com "a minha função aqui é dizer-vos que isso eventualmente vai passar e que infelizmente é a aguentar porque os remédios para as cólicas não fazem nada, podem dar à vontade, mas não fazem nada. Só para tirar as teimas vamos fazer 15 dias de leite de arroz, não vá ela ser alérgica a uma proteína do leite de vaca"
- Mudámos o leite e não só não mudou nada mas ela ficava com fome porque se habituou ao AR e deste ela não bebe (e cheira mal também por isso ainda bem que este não funcionou)
- Começámos a dar um dos remédios clandestinos e nada muda
- Depois demos o famoso Infacol, o outro remédio clandestino
- E fomos a uma osteopata que nos disse que a nossa filha tinha plagiocefalia que é uma condição bastante comum. Pode até afectar nervos que vão da cabeça para o estômago e provocar problemas de intestinos (TIPO CÓLICAS!) e de estômago que se curam.

Depois disso passou, acabou - QUASE - que totalmente e como que um amanhecer depois de uma noite de tempestade a nossa filha mudou de personalidade. De um bebé vezes demais triste e em sofrimento passou a fazer sorrisos e a palrar uns sons estranhos que repetimos religiosamente numa tentativa de falar língua de bebé.

Agora se foi o Infacol, se foi a osteopata, se simplesmente "está a passar" ou se foi a macumba que pedimos para fazer a uma bruxa não sabemos. Mas não mudámos nada desde então, o leite é Nutriben AR, o Infacol é mesmo antes do leite e já fizemos duas sessões de osteopatia e pelo menos mais duas virão.

A todos os pais que passem pelo filme de cólicas intensas digo o seguinte: não atirem o bebé pela janela, não desistam de procurar a rotina que faz com que o vosso bebé tenha uma personalidade feliz e, acima de tudo, acreditem que isso vai passar (nós pelo menos acreditamos que vai passar! :P).

O pai.

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