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Vamos lá ter um bebé!

Achavam que iam encontrar resposta para os dramas da maternidade? Não! Este blog conta a experiência de 2 pais inexperientes que ainda estão aprender a diferença entre body e babygrow. Prometemos doses de riso e muito amor!

À espera da Di.

Como fiquei de baixa de alto risco pelas 31 semanas acabei por começar as preparações e organizações com antecedência ... muita antecedência.

 

Bom, no início não podia andar em grandes movimentações, tinha de descansar e estar a maior parte do tempo deitada no sofá cerca de 60% do dia (e ninguém merece isso quando tem de organizar a chegada de um novo ser humano ao mundo!). Mas fui uma menina muito bem comportada e passado um mês já estava, passo a citar a médica, "com um colo para dar e vender" =D. Por isso já podia, devagarinho, começar a fazer alguma bricolage e a orientar as coisas da miúda. 

 

O pai adora gozar comigo a dizer que tenho ínicio de OCD (obsessive-compulsive disorder) (um inicio ou um fim, não é relevante para o caso) e eu não concordo nada com isso.. mas as coisas têm de estar arrumadinhas!! A verdade é que sou menina para todos os dias entrar no quarto da criança e endireitar uma ou outra coisa que possa estar "fora do sítio" ou dar um último retoque aqui ou ali (mas em minha defesa, são coisas que estão tortas e/ou desarrumadas). Mas começo a notar que de facto quanto mais tempo tenho, mais vou endireitando as coisas ...

 

Já lavei e engomei (com a a ajuda da Avó), já tirei etiquetas (fiz alguns buracos ao tirá-las e depois cozi), já pus os lençóis no berço, já arrumei os cremes no sítio onde eu acho que me vão dar jeito, já arrumei caixas, caixinhas e caixotes, já fui ao supermercado fazer as compras para os primeiros tempos de bunker, já cozinhei, já comi a comida que era para ficar congelada para os tempos de bunker e já voltei ao supermercado novamente.

 

Saber esperar é uma virtude que eu estou a aprender a adquirir! As minhas mãos já estão tão inchadas que a aliança já foi para a gaveta, os meus pés estão tão gordinhos que parece que os sapatos não me servem, a minha cara está a inchar a olhos vistos e a barriga já está tão grande que todos os dias peço, com muita força, à marca do creme das estrias que não me desiluda, e acho que é por isso já dou por mim a falar com a minha bebé e a perguntar "quando é que vens cá para fora conhecer-nos?". É que para além disto tudo estou um bocado ansiosa/excitada/curiosa/em pulgas para a ver!!

 

Já sei aquilo que toda a gente diz "que não há pressa" e "que se ela está cá dentro é porque está bem" rebéu-béu-béu pardais ao ninho. Concordo 100%. Mas eu cá para mim isto de ter signo escorpião misturado com os genes Touro teimoso do pai está a ter forte influência no processo de descida da miúda. (claro que tinha de sobrar para mim.. ass: pai). 

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É isto ou não é? É tal e qual! 

A mãe.

Planeamentos e organizações se quiseres sobreviver

Eu não sou o mais organizado nem o mais arrumado e é por isso que eu e a mãe fazemos uma boa equipa. Ela é organizada e arrumada.. talvez até tenha um bocado de OCD (obsessive-compulsive disorder).

Embora eu goste muito desta complementaridade existe a consequência óbvia da situação em que nos encontramos, afinal ela tem de andar constantemente com o equivalente a 2 garrafões de água de 5 litros e não pode carregar, empurrar ou levantar coisas. Eu de repente torno-me muito mais útil... 

 

 

Mas a organização é uma coisa de cabeça e está mais relacionada com a concepção do planeamento do que com a parte de pôr em prática o planeamento. Por isso, cada macaco no seu galho e eu tou ao nível do gorila e não estou na árvore sequer.. estou no chão a carregar armários e cómodas do IKEA.

 

A verdade é que depois de montar e pôr as coisas no seu lugar ficamos com tudo muito giro e se perguntarem a qualquer mãe, a parte de montar o ninho é uma coisa basilar no processo da gravidez. O quarto do bebé é a cereja no topo do bolo ... é como se fosse um templo sagrado, as paredes são o teto da Capela Sistina e os móveis são verdadeiras peças do Louvre (mas só que do IKEA). Qual Michelangelo qual quê, entre as nossas skills de artes manuais e as skills artísiticas do nosso amigo Rezende as pinturas do quarto metem a Sistina num chinelinho.

 

Mas organização e o planeamento implicam uma data de coisas que não são só pinturas e móveis. Claro que por um lado temos os clássicos como o berço, cama de grades, cadeira ao lado da cama de grades e o móvel onde se muda as fraldas com todos os acessórios e cremes necessários para deixar o rabo do bebé limpinho e suave à distância de um braço (não me lembro se tem um nome específico) (será muda-fraldas? ass: mãe).

E por outro temos os cremes, as chuchas, os biberões, os lençois, os panos para pôr debaixo do bebé enquanto se muda a fralda que têm de ser impermeáveis (mas não 100% impermeáveis porque senão o xixi escorre e ninguém quer isso..!), o carrinho, a alcofa, a cadeira do carro e ainda roupa e roupa e mais roupa que ouvimos dizer repetidamente por toda a gente que "só se usa uma vez" e que "quando vais tentar por já não serve" por causa da velocidade de crescimento do bebé (já que estamos numa de referências para amigos aproveito para falar de outra amiga que também é uma artista de roupinhas bem catitas de grande qualidade: ).

 

Para facilitar dividimos as coisas de 0-1 mês depois de 1-3 meses depois de 3-6 meses e rezamos que não saia uma bebé nem pequena demais nem grande demais senão as contas não batem certo!!

Entre o que herdámos e o que comprámos, a miúda já tem uma boa coleção outono-inverno para passar modelos em cima do tal móvel onde se deita o bebé para mudar as fraldas (O muda-fraldas!! ass: mãe).

 

Portanto são algumas coisas que os futuros pais têm de antecipar e preparar para que quando chegar o dia de trazer o bebé para casa estejam com a cabeça concentrada no bebé e nas necessidades dele. Para nos ajudar a organizar um bocado toda esta infindável lista de tarefas que precisam de ser feitas pedimos a uma prima que nos enviasse uma cópia de um excel espectacular que ela tinha com coisas todas listadas e categorizadas (obrigado Diana).

Também lemos num livro alguns conselhos muito bons mas houve um que sobressaiu como aquelas coisas óbvias que uma pessoa só se apercebe depois do facto e que tem de ser partilhado: vamos cozinhar e congelar comida que chegue para o primeiro mês (nunca vai ser suficiente para o primeiro mês inteiro mas o espírito tem de ser esse... tipo bunker de sobrevivência anti-nuclear). Acho que este conselho vai valer ouro! (especialmente para a mãe que não vai ter de se alimentar à base de massa de atum.. que eu faço lindamente por acaso).

 

 

Isto da organização é uma necessidade básica que todas as mães (e possivelmente alguns pais mas creio que poucos) desenvolvem na altura da gravidez por uma questão de necessidade. Acho que é por isso que achamos sempre que a casa da nossa mãe tem uma magia especial onde parece que está sempre tudo no lugar certo... desconfio que elas não foram sempre assim mas ganharam o skill por nossa causa!

 

O pai

E quando a miúda não se mexe?

Dizerem a uma grávida que tem de contar 10 movimentos do bebé de 5 em 5 horas, todos os dias, é a mesma coisa que pedir a um cozinheiro que conte o número de bolhas que a água faz até ferver.

 

Eu não quero ser paranóica nem stressadinha, mas uma pessoa habitua-se aos constantes pontapés e de repente a partir das 37 semanas começa a ter mini ataques quando não a sente durante um tempo. Monitorizar os movimentos do bebé não é uma coisa própriamente fácil e para contar já basta as calorias para ver se não chego (ou ultrapasso!!) os 20 kg a mais.

 

Isto para vos contar que acordo todos os dias com as galinhas (mais precisamente com o marido a ir exercer as suas funções de trabalhador exemplar) e depois não durmo mais porque a miúda começa desde cedo a estrebuchar e a armar-se em Telma Monteiro com as minhas costelas. 

 

Ontem foi um dia igual aos outros, lá abri o olho para despedir do homem e mal ele sai eu também me levanto para iniciar o meu dia de preparações para a chegada da miúda. Começa o stressezinho quando não a sinto. Vou tomar banho, não a sinto. Vou tomar o pequeno almoço, não a sinto. Vou enconstar-me no sofá numa posição que eu sei que é a preferida dela para me enfiar os pés nas costelas, não a sinto. 

Oh com um caraças, ainda nem nasceu e já fugiu de casa queres ver! 

 

Lembrei-me - vou comer chocolate dizem por aí que desperta os bebés. Lá se vai a minha "dieta sem doces nem pão" e toca de enfardar meio Daim que estava guardado religiosamente para um dia de festa (tou a mentir.. foi um Daim inteiro). Quase que nem o saboreei tamanha era a vontade de despachar o assunto... Nem 5 minutos foi preciso para começar a sentir um festival de rotativos nas costelas. 

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A todas as grávidas - a solução é Daim. Eu sempre soube e aposto que é uma solução para muito mais coisas.

A mãe.

Menino ou menina?

Durante toda a gravidez ouvem-se aquelas sabedorias populares sobre se é menino ou menina.

 

Eu que era completamente nula nestas coisas e não fazia ideia que havia superstições que previam o sexo do bebé fiquei fascinada e ouvia atentamente todas elas numa tentativa inocente de tentar descobrir tudo antes de sequer a ciência o permitir.

 

Encontramos alguém na rua (que conhecemos e que não conhecemos) e a primeira coisa que pergunta é:

"O que é?" e em todas as vezes o que eu penso que vou responder é "É uma pizza!" .. mas depois respondo "Não sei!".

"Tem uma barriga tão empinadita, isso de certeza que é um menino" (as certezas são maravilhosas!);

"Não tem pano na cara e está com uma pele bonita, isso de certeza que é um menino".

"Tem mais vontade de comer doces ou salgados?" "Por acaso não era fã de doces e agora era capaz de comer a caixa de bolas de berlim do senhor da praia assim numa tarde." "Ahhh então é porque é menina!"

Até o avô do pai fez a superstição da agulha e do pêndulo (deu uma menina).

Agora estava confusa e esta coisa da indefinição mexe comigo. 

 

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Tive que me aguentar, as dúvidas só foram tiradas mesmo quando a médica obstetra aponta para dois risquinhos do tamanho de duas farpas numa fotografia a preto e branco e diz com toda a certeza e emoção "É uma menina!!". 

Ora portanto, e aqui que a miúda não nos ouve, tanto eu como o pai tinhamos encomendado um menino. E porquê? Não sei bem, mas sempre ouvi dizer que eram mais fáceis, mais económicos e que era bom ter um irmão rapaz mais velho.

 

Ainda passei alguns dias com pesos na consciência a dar por mim a fazer festinhas na barriga e a dizer em voz alta, sozinha em casa, "é uma menina, que fixe!!!".

 

Mas é um primeiro filho e na verdade é completamente indiferente portanto imediatamente mudámos o chip focámo-nos nos folhos (eu pelo menos foquei-me nos folhos, o pai acho que se focou mais no problema que ia ter na adolescência caso ela saísse à mãe).

 

Eu cada dia que passava ficava mais feliz porque já chegava não me sentir minimamente preparada para cuidar de um bebé, então de pensar que esse bebé poderia ser um menino... brincar a coisas meninos - não sei; lavar meninos - não sei; vestir meninos - não sei; perceber meninos - não sei.

 

Tudo faz agora mais sentido com uma menina. Para próxima vem o pilinhas.

A mãe.

Sem pressão, o nome é só para o resto da vida

O nome que nós temos foi-nos imposto pelos nossos pais. Ninguém nos consultou e é o único rótulo que vamos usar até ao fim da nossa vida. Para além disso existem uns nomes muita estranhos para aí o que torna todo o processo uma roda da sorte onde podemos ter o maior azar do mundo.

 

Isto é o que uma pessoa pode pensar quando se foca em si e centra toda a atenção na magnificiência da sua existência. Mas eu, o pai, agora já não acredito nisso. Em nome de todos os que já tiveram de passar pelo processo de escolher o nome que alguém vai usar até ao fim da sua vida declaro que o nome de cada um de nós foi pensado, remoído e possivelmente discutido em assembleia paternal com consultores externos.

 

A nossa bebé vai-se chamar Diana. É um nome bonito que tanto o pai como a mãe gostam, mas o processo para lá chegar foi longo e pareceu um labirinto com vários becos sem saída.

 

Se forem pessoas tranquilas e sem grandes pressas só começam este processo depois de saber o género do bebé, senão claramente é um processo de pelo menos 8 meses. E passo a explicar como poderá eventualmente dar-se esta negociação paternal: Primeiro existem os nomes que o pai ou a mãe gostam desde sempre (possivelmente a mãe já tem uma lista memorizada com um top 5 qualquer desde que tem 12 ou 13 anos porque as mulheres têm destas coisas) e estes são os primeiros que são postos como possibilidades em cima da mesa das negociações. Vamos excluindo de um lado e do outro com base em variadíssimas razões que pensamos ser lógicas mas nem por isso.

 

Houve nomes que foram excluídos por serem grandes demais, outros por terem uma sonoridade muito agressiva ou por não terem sonoridade possante suficiente. Houve nomes que ficaram de parte porque nos faziam lembrar aquela míuda que cheirava mal na 2ª classe e outros porque nos faziam lembrar ex-namorados/as (mútuo acordo que era uma coisa inaceitável). Houve nomes que faziam lembrar profissões e outros que simplesmente eram nomes maioritariamente usados para outras coisas (Luz foi um nome muito discutido que a mãe gosta muito).

 

Então escolhe-se uma ou dua opções e partilha-se com os amigos e familia (que perguntam incessavelmente durante 9 meses qual é o nome todos os dias enquanto não existir uma resposta confiante por parte dos pais). O caos instaura-se e aquilo que foi dificil de negociar entre dois agora é discutido em modo parlamentar onde cada um tem uma razão para não gostar ou gostar muito de um ou de outro nome. "Porque é o nome daquele actor" "Porque é nome de realeza" "Porque é nome de santo" "Porque a minha amiga acabou de ter um filho e deu-lhe esse nome" "Porque o pescador que estava sentado na tasca onde eu costumava ir quando estava de férias no Algarve tinha uma sobrinha com esse nome", etc etc... 

 

O tema é tão subjectivo e puxa tantas associações inconscientes e refundidas que fica díficil chegar a uma conclusão. Talvez por isso é que existem tantas pessoas com os nomes dos pais ou dos avós, a associação é a uma pessoa próxima a quem ambos sentem carinho. No nosso caso o nome veio de uma conclusão lógica de juntarmos os nossos dois nomes: Diamantina + Anacleto = Diana (estou a brincar é Diogo e Ana, espero que não esteja nenhuma Diamantina nem nenhum Anacleto a ler isto senão é muito constrangedor).

 

No fim do dia os pais podem escolher o que quiserem para os filhos mas as pessoas que vão verdadeiramente escolher como é que eles vão ser chamados são os amigos, e provavelmente vai ser uma estupidez qualquer que não tem nada a haver com nada.

 

O pai.

O drama da amamentação.

Sou a favor da amamentação, mas para quem o queira fazer. Faz-me alguma comichão haver tantas pessoas com largaaaas dissertações sobre o tema e que acabam por categorizar uma mãe pela quantidade de mamadas que ela deu, dá ou vai dar.

 

Desde os mais práticos aos mais teóricos e emocionais, são gigantes os benefícios do leite materno o que me leva a querer com muita força ultrapassar as famosas dores e desconfortos iniciais para dar de mamar à minha filha nos primeiros meses.

Mas como nem sempre é possível dar de mamar, por todas as razões e mais algumas (o leite não sobe, não desce, faz feridas, não consegue, não quer, não é UCAL, não é de soja, etc..), temos de encarar a outra opção com mais tranquilidade e menos julgamento para quem de certeza quer o melhor possível para os seus filhos.

 

A gravidez no geral e especialmente na altura do nascimento já é suficientemente dura e emocional para as mães para ainda ter os/as vários/as filósofos/as de bolso a julgar esta e aquela por querer ou nao querer amamentar os seus filhos.

Frases como "só quem amamenta tem uma ligação especial com o bebé" podem ser devastadoras para uma mulher que acabou de pôr uma criança no mundo, tem as hormonas viradas ao contrário e simplesmente não está a conseguir lidar com o processo de dar de mamar. É porque não somos todos iguais!

 

É importante também sublinhar que os primeiros 6 meses de alimentação de uma criança são o que o próprio nome indica "os primeiros 6 meses" e ainda resta uma vida inteira de educação alimentar que parece ser muito mais influente e muita gente nem lhe dá o devido valor nem sequer para si mesmo. 

Já sei que saímos do trabalho cada vez mais tarde, que a emancipação da mulher está no auge, bla bla bla whiskas saquetas, e que isto tudo torna a vida mais dificil, mas é mesmo importante tratarmos da alimentação que temos em casa. Devemos aprender a cozinhar e a escolher os nossos legumes, carnes, frutas, etc. É um facto muito conhecido que os potes de purés de fruta estão recheados de açúcar e conservantes e não são assim tão dificeis de fazer. As sopas que não são feitas em casa penso que já vêm mastigadas e tudo (é útil porque poupa imenso no tempo e no dentista mas..). As bolachas querem-se com formas divertidas (eu também adoro comer uma cabeça de Mickey ou um mini rinoceronte, é um grande empowerment) mas a grande maioria está carregada de açúcares.

 

Adiante e controlando as minhas hormonas revolucionárias, seja qual for o método de alimentação escolhido, há mães e mães, há bebés e bebés. No final o que importa é que uma mãe feliz faça um bebé feliz porque o que queremos é que ser mãe não seja mais stressante do que naturalmente é.

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A mãe. (Com algumas correções do Pai que visaram o controlo das hormonas da gravidez!)

To eat or not to eat, eis a questão.

Quando estás grávida vais a um básico restaurante de hamburgueres e o teu pedido é mais complicado de explicar que o conceito de buraco negro. "Queria o hamburguer XPTO mas, e agora é melhor trazer o bloquinho de notas, a carne muito bem passada, sem ser esturricada mas também não pode ser crua, sem a alface, tire tudo o que é verde e cru, deixe o tomate mas tem de grelhar (tem mesmo de deixar o tomate cozinhar), com cheddar em vez de brie e a cebola tem de ser passada na chapa."

 

As restrições alimentares são um tema. 

 

De um lado temos os médicos mais conservadores que por eles até a sopa era feita com água engarrafada, por outro os mais modernaços que aconselham um sushi por mês para a criança não nascer com cara de niguiri. 

 

E nós grávidas pela primeira vez, com pouca inteligência e conhecimento relativamente a qualquer tema da gravidez, vamos vendo o que esta e aquela vão fazendo e tentado balançar aquilo que se vai ouvindo dizer. 

 

Como a minha médica também não é rapariga de grandes posições relativamente a este tema, fui largada um bocado aos lobos apenas com a noção de duas coisas "não comer alimentos crus, não comer alface e tomate sem passar por vinagre". Parece coisa pouca "ahhh, que exagero, elas não podem comer sushi e tártaro de resto podem comer tudo aquelas lontrinhas". 

Mas só que não!

 

Presunto é considerado carne crua, os queijos têm de ser pasturizados (o leite não pode ser cru), as frutas afinal também não podem ser comidas assim tranquilamente porque a casca pode ter a mesma bactéria que está no tomate e na alface antes de serem passados por vinagre, os bivalves estão fora das hipóteses porque se tiverem estragados é um filme.

 

E isto são as coisas que eu tenho atenção, porque há outras coisas que supostamente não são aconselháveis mas enquanto não me derem uma justificação minimamente credível e com sentido também não vou deixar de comer só porque sim (como é o caso do camarão).

Posto isto, gasto mais vinagre do que creme para prevenir as estrias e rendo-me ao doces que são meus amigos verdadeiros e não me fazem mal (menos à mousse de chocolate que tem ovos crus!).

 

 

Mas já estou na recta final da gravidez e não aprendo.

Não sei se é da falta de memória que o meu homem já mencionou anteriormente (algo que eu não me lembro de acontecer assim tantas vezes, mas acredito no que ele diz!), ou se é simplesmente distração. Mas no outro dia (já com 7 meses de restrições) estava muito bem a deliciar-me com um wrap do Mcdonalds quando me apercebo que estou a comer alface e tomate. Oh meu deus! O vinagre! As bactérias! A toxoplasmose e tudo o que isso implica (que nunca ninguém me soube explicar o que era exatamente!).

Senti-me uma lontrinha, má mãe, com défices de atenção e sem capacidade de tomar conta de nada nem de ninguém. Quase que chorei. Com algum esforço, pousei o wrap de lado e foquei a minha atenção no Mcflurry de M&M's.

 A mãe.

O bebé na barriga também comunica.

O bebé dentro da barriga da mãe cresce de forma relativamente discreta no que toca a interacções com o mundo exterior (a barriga a crescer e as hormonas acho que são mais o bebé a interagir com a mãe). A partir dos 5 ou 6 meses começam os primeiros ligeiros olás que o bebé dá para o mundo exterior e, embora a mãe já tenha dito que por vezes parece que tem um ratinho a andar numa roda dentro da barriga, só nesta altura é que o pai consegue (com muita concentração e sorte) sentir, com a mão na barriga, uns ligeiros empurrões de dentro para fora.

 

A mim ela só se mostrou mais tarde, só depois de se mostrar à avó, às amigas do trabalho da mãe e às tias (mais uma vez se mostra que o pai aqui é um título sem muito poder na gravidez...), e só depois de muitas horas de mão na barriga em frente à televisão ou num jantar lado a lado é que ela decidiu dizer olá ao pai. Cheira-me que vem ai o feitio da mãe..

 

À medida que os meses vão passando a timidez do bebé vai-se tornando cada vez menos presente, os empurrões passam a pontapés e raras são as vezes que não se sente um olá quando se põe a mão na barriga da mãe. A certa altura é bem visível todo o pontapé e empurrão, parece que a mãe de repente teve uma mini explosão dentro da barriga.. ou gases.. muito agressivos.

 

A sensação de sentir o bebé às 35 semanas é avassaladora. O pontapé ou empurrão é muito forte e parece que o olá passou a um "sai daqui que estás a fazer calor". Às vezes a mãe (pobre coitada) está tranquilamente sentada a jantar ou deitada no sofá a ver uma série e de repente salta manda um berro e faz uma cara de sofrimento porque o bebé daquela vez, em vez de pontapear para a frente em direção ao umbigo pontapeou para o lado e para cima em direção às costelas e possivelmente ficou com o dedão grande do pé preso entre a 3ª e a 4ª durante um segundinho (sem certeza científica aqui mas isto é claramente o que se passa lá dentro).

 

  

Acredito que para a mãe a sensação não seja tão agradável por vezes.. mas agora que estamos quase a conhecermo-nos cara a cara, o melhor momento que eu tenho com aquele bebé é quando acordo de manhã e enquanto abraço a mãe antes de me levantar levo com um fortíssimo "sai daqui que acabei de acordar" do meu bébé.

 

O pai.

O guarda roupa de uma grávida. Ou a falta dele.

É incrível como uma mulher pode viver apenas com dois ou três trapinhos durante praticamente 9 meses. Os homens que não se comecem já a atirar ao ar porque isto é a mais pura das verdades.

 

Provavelmente também tive azar, mas a verdade é que logo no início com 2 meses de gravidez a minha barriga estava tão inchada que já não conseguia vestir as minhas calças de ganga (que saudades que tenho delas!). Vai de voltar aos tempos áureos do liceu onde só se usava leggings e t-shirts largas. Fui tantas vezes de leggings para o trabalho e para reuniões que a minha equipa gozava comigo e achava que eu tinha sido enfeitiçada por alguma seita das leggings. Mas no inverno é difícil, está frio e apetece usar calças. Não há nada mais prático, especialmente para quem está a esconder a gravidez até aos 3 meses, do que a bela da legging preta com uma t-shirt e camisola bem larga por cima.

 

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Bom no início até tem alguma graça, tudo é novo, as emoções são fortes, o corpo vai mudando com uma velocidade moderada. Que gira que é aquela mini barriguita que facilmente se confunde com uma pancita de cerveja. 

 

Passam os primeiros 3 meses e já passa a ser um orgulho andar a passear aquela barriga que passou de pancita de cerveja a pancita de grávida. Agora sim, percebe-se que estou grávida. E como fiz logo uma barriga grande aos 3 meses de gravidez, já farta do raio das leggings, fui aventurar-me numas compras para a minha condição. Corri a H&M do Chiado, a ASOS, a C&A e a Prénatal.

 

A coleção de grávida das duas últimas lojas metia medo ao susto e só mesmo os soutiens é que se aproveitavam. Parecia que tinham pegado nas roupas mais desenxabidas da loja e aumentado o tecido para caber um barriga. Os cortes pareciam do século passado, os padrões e os tons muito sem gracinha nenhuma. 

Nada feito.

 

Segui rumo à H&M do Chiado para espreitar os trapos e lá encontrei umas calças de ganga do meu agrado na zona de grávidas e um ou outro vestido da zona de não grávidas que se adaptava na perfeição à pancita. O que eu não tinha noção é que ela crescia tão depressa... Depois espreitei a ASOS que me ajudou a não usar só um par de jeans durante aqueles meses todos.

 

Resumindo, a oferta é escassa e pouco moderna. Parece que nos temos de vestir como as nossas mães na altura em que só exisitiam aqueles vestidos gigantes onde a silhueta desparecida no meio de tanto pano.

(Se conhecerem outras soluções acessíveis monetariamente à comum grávida que anda constantemente em poupanças para o enchoval da criança partilhem pf porque não queria passar pelo mesmo drama numa próxima oportunidade.)

 

Os meses vão avançando e os quilinhos também. Tinha a mania de todos os dias me pesar e comecei a sentir-me deprimida porque todos os dias o quilos aumentavam. Não vou já revelar quantos foram no total porque ainda falta um mês de estado de graça, fica um assunto para outro post porque este sim, tem pano para mangas. 

 

Às tantas dás por ti no sexto ou sétimo mês de gravidez e já não te servem as calças de grávida nem qualquer outro vestido que tão inconscientemente compraste a achar "ui isto estica imenso, dá até ao fim com certeza!". O que vale é que é verão portanto arranjei dois ou três vestidos da H&M tamanho largo e são os meus trapinhos diariamente. É isso ou gastar mais não sei quantos tostões a comprar roupa que só me vai servir mais um mês. 

 

Claro que isto não é algo que se aceite assim facilmente. Todas as manhãs o meu homem (que é um santo!) ouve a frase "estou farta desta roupa!!!! já não posso ver este trapo!!!" e ou outras variações da frase e do tom que esta é dita.

 

É danado quando a pessoa começa a ter noção que nada, NADA NADA, no armário lhe serve. E às vezes nem é o problema da barriga, mas sim do tamanho em que as ancas ficaram. O ponto positivo é que já não gasto dinheiro em roupa, não tou para comprar tamanhos XL para depois nunca mais voltar a vestir. Portanto não ponho os pés na Zara há uns tempos, nem quero saber do que andam a vestir as pessoas magras e esbeltas. 

Usar farda sempre foi uma coisa boa! 

A mãe.

Funções do pai na gravidez

A primeira vez que o pai ouve a notícia que será um pai é uma emoção gigante seguido de uma ligeira desconcertação e caos mental. Na verdade, o que é que acontece agora? O que é que é suposto eu fazer? Eu sou o pai portanto devo ter de fazer alguma coisa!? O meu papel deve ser super importante!?

 

Pois não é. Fui muito importante para dar início ao processo mas agora a única pessoa que importa para o processo da criação do bébé é a mãe! Essa é uma conclusão que vem rápido e bate forte.

Pois bem cá para mim a função paternal tem muito que se lhe diga e embora uma pessoa possa achar que os homens não façam nada, aquilo que eu acho é que só diz isso quem não conhece um futuro pai e companheiro de grávida.

 

Mas não é por isso que o pai não é importante para a mãe! O pai tem a função muito complicada de... sorrir. Embora pareça muito simples não se pode dizer que é assim tão simples, quer dizer, não é complicado mas é uma responsabilidade séria, não é coisa para ter de se tirar um curso de engenharia aeroespacial ou sequer um curso de costura MAS sem esta importante tarefa os curtos 9 meses podem parecer alguns 10 anos.

 

A mãe inicialmente começa a ter algumas alterações físicas e sintomas de gravidez como os enjoos ou as alterações hormonais. De repente ela chora porque uma amiga que vai casar recebe um cartão de "Muitas Felicidades!" de um cliente no trabalho, ou então ri-se durante horas a fio porque em vez de dizeres "batata frita" dizes "batata fita". A mãe pode do nada dizer ao pai que ele está a falar muito alto e amuar ou então viver para o próximo momento no sofá a ver uma série como se fosse o último momento da nossa vida. A mãe pode do nada começar a ter grandes desejos como começar a gostar de chocolates e doces quando antes era a pior companhia possível para se passar uma Páscoa.  A mãe era uma autêntica máquina de guardar memórias e detalhes, mas a partir do momento em que está grávida não se lembra ao lanche do que comeu ao almoço e ainda refila contigo por isso. Estas várias mudanças são constantes e aparecem de uma forma muito silenciosa mas mortífera!

 

Portanto a função do pai é muito importante porque quando a mãe está triste há que sorrir, quando a mãe está feliz há que sorrir, quando a mãe está aos berros porque as meias que acabaste de tirar ainda não estão no cesto da roupa há que sorrir, quando a mãe está infeliz com o mundo em geral porque uma personagem do Game of Thrones morreu há que sorrir. Se o pai não sorrir e não equilibrar a balança energética, se não ajudar as hormonas a caminharem na direcção correcta do positivismo e da alegria que é a vida porque existem cores bonitas no mundo, existe um sério risco de aumentar a noção de tempo e de tornar segundos em minutos e minutos em horas, e do nada quando o bébé nasce o pai já envelheceu 10 anos...

 

Eu posso estar aqui com esta conversa toda, mas ver o instinto maternal que começa a crescer na mãe e a forma como ela começa a florescer como mulher, ver como a mãe lida com as mudanças todas e ainda tem tempo para trabalhar, ser a gestora da casa, continuar a ser uma companheira apaixonada e aprender todos os pormenores e detalhes relacionados com bébés que um homem nem percebe de onde vêm, faz crescer um respeito e uma admiração pela mãe que eu prevejo que só venha a melhorar com o bébé cá fora.

 

O pai.

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