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Vamos lá ter um bebé!

Achavam que iam encontrar resposta para os dramas da maternidade? Não! Este blog conta a experiência de 2 pais inexperientes que ainda estão aprender a diferença entre body e babygrow. Prometemos doses de riso e muito amor!

Vamos lá falar de um bebé com refluxo.

Ando há dias, meses, para escrever sobe esta aventura que está a ser esta minha 2ª filha, diagnosticada com refluxo acentuado quando tinha 2 meses.

Acho que está na altura de partilhar com outros pais a nossa experiência - mesmo que sem qualquer solução...apenas com o intuito de dizer "hey, não são os únicos!" - algo que por mais estupido que seja, acaba por ser reconfortante.

 

Desde que tem 10 dias que a minha filha chora compulsivamente sem razão aparente.

No início, achámos que fossem cólicas porque tinha muita dificuldade em fazer cocó, mas com o passar dos dias percebemos que de outra coisa qualquer se tratava. Comia, arrotava e ficava a berrar até voltar a comer - e isto é loop durante dia e noite.

Todos sabemos que um bebé a seguir a comer fica mole, tranquilo, satisfeito.. a não ser que, como indicou na altura a pediatra, ela não tivesse a ser alimentada suficientemente.

Vai de lhe enfiar um biberão pela goela a seguir a mamar para ver se a miúda se acalmava. O meu leite, aparentemente, não era suficiente e isso deixava-a doida de fome. 

 

Mentira.

 

Por mais biberões que lhe dessemos ela ficava sempre aos gritos, completamente perdida... ela e nós.

 

Passavam os dias, e eu já sem leite porque estava claramente a apostar as minhas fichas no biberão, a miuda começou a ser alimentada exclusivamente a leite de lata. E, com cerca de 1 mês, começa a vomitar em jato o leite todo após a refeição. Uma, duas, três vezes ao dia. Berros de meia noite. Um bebé infeliz. Uns pais perdidos. Uma irmã mais velha estoirada.

 

Não vou entrar em pormenores de como chegámos à conclusão do refluxo, mas fizemos várias ecografias, vários exames médicos, várias análises, ela chegou a ficar internada a soro, e nada. Ninguém via nada, ninguém disgnosticava nada. Acabavam sempre a mandar-nos para casa com palmadinhas nas costas e palavras e força para continuar.

Ora nem as palmadinhas nem as palavras ajudam. E mandarem um bebé que está constantemente a vomitar para casa é um CRIME, Senhores Médicos deste Portugal. 

 

Mas nós, pais com uma intuição fora do normal, não páramos enquanto não descobrimos o que se passava com ela. Fomos a uma médica de gastro pediátrica, Dr. Piedade Sande Lemos, que supostamente é incrivel e não há nada como um médico INCRÍVEL.

Em apenas 30 segundos de conversa, onde descrevi vários comportamento que eu achava "estranhos" na miúda, ela fez o diagnóstico e recomendou-me uma médica específica da CUF Cascais onde deveria ir fazer a ecografia - já lá tinha estado há uns dias nas urgências a fazer a mesma ecografia mas com uma médica diferente que me mandou a criança para casa porque não via nada..

E assim foi, uma ecografia BEM FEITA que demonstrou vários episódios de refluxo e uma criança que tinha de ser imediatamente medicada pois não estava a engordar há quase duas semanas. 

A medicação, não acaba com os vomitares/bolsares, diminui apenas o mau estar do bebé. É como um "Prazol" da vida, regula os ácidos do estômago e faz com que a miúda não sofra tanto quando o leite vem para cima. 

 

Sintomas de Refluxo:

  • Irratibilidade ao longo de todo o dia e noite
  • Choro compulsivo depois das refeições e quando posta na horizontal
  • Muitos arrotos
  • Soluços constantes
  • Tosse (como se tivesse sempre qualquer coisa na garganta a incomodar)
  • Vómitos e bolsares exagerados
  • Desinteresse pelas refeições

 

Supostamente, e segunda a médica, a válvula que separa o estômago do esófago não trabalha bem e só com 1 ano de idade, se nada mudar, é que se vai perceber se era apenas imaturidade do sistema ou se é alguma anomalia genética mais chata.

Até lá, os conselhos que posso dar a quem esteja a passar pela mesma situação, e que surgem desta experiência de quase 5 meses disto são:

 

  • Cabeceira da cama levantada o mais possível
  • Mudar a fralda antes das refeições
  • Arrotar sempre depois das refeições 
  • Ficar com o bebé direito ao colo durante uns bons minutos depois de comer
  • Não abanar muito a criança, evitar andar com o carrinho na bela da calçada portuguesa
  • Babywearing é uma boa compra
  • Sessões de osteopatia para relaxar os músculos do estômago que estão em constante esforço e tensão [Osteopraxis]
  • Muita cafeína e ajuda de avós porque as noites são um verdadeiro pesadelo

 

Tudo isto ajuda a atenuar, mas confesso que nada disto acaba com o refluxo. Aqui por casa cada dia é um dia, há dias melhores em que dormimos 3 horas seguidas, outros tão maus que não chegamos a pregar olho uma única hora durante a noite. 

 

Têm sido meses de cansaço extremo, privação de sono, frustação e muitas lágrimas. Só resta acreditar que tudo vai passar e que, talvez, só talvez, hoje a noite seja melhor.

 

A mãe, exausta.

 

Dois é a conta que Deus fez.

É tudo tão bonitinho, calmo e tranquilo. São duas miúdas lindas e cheia de saudinha, que mais poderia pedir uma mãe?
A realidade é muito menos instagramável.

Têm sido dias verdadeiramente duros e desafiantes. Dias que têm posto à prova qualquer sanidade mental que restava nesta família. 😱 (se é que ainda havia alguma!)

Há 4 semanas que não se dorme mais do que duas horas seguidas (e é um luxo!), os finais de dia são verdadeiramente caóticos (é especialmente agradável quando estou sozinha com elas e começam as duas aos gritos!), as viagens de carro fazem-nos querer abrir a porta em andamento e saltar (é incrível como isto pode parecer uma ideia tão boa!) e grande parte dos passeios acabam pouco antes de começarem. ☠️


Claro que a maternidade tem coisas muito lindas e felizes e que ter filhos é a melhor coisa do mundo, rebeubéu pardais ao ninho, mas é também a coisa mais difícil.. e esta está a ser uma fase bem cansativa!! 

Acho muito giro procriarem como coelhinhos e terem muitos filhos todos vestidos de igual para a fotografia da Páscoa, mas não contem mais comigo - só aceitarei mais seres vivos cá em casa se forem cor de laranja e viverem num aquário com sistema de alimentação e limpeza automático. 🐡😆
A mãe.

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Quando percebi o Dia da Mulher.

Sempre achei o dia da mulher um contra-senso. Não fazia sentido haver um dia para as mulheres se todos os dias já eram delas. Delas e deles. Haviam lutado pela igualdade e haviam conseguido. Porquê haver um dia para o sexo feminino se o que tínhamos conseguido era que todos os dias fossem de todos os sexos?

Nao me julguem. Era inconsciente do mundo e da sociedade.

Depois de ter a minha filha encarei a tal sociedade que em tempos eu achava consciente e evoluída e foi como um chapadão da realidade (e a realidade tem uma mão cheia de aneis nos dedos).
Tao grande foi o chapadão que só hoje, passado quase 1 ano, consigo partilhar a minha história sem dó nem piedade.
(Dizem que com a idade vamos perdendo os filtros - precoce, eu sei! - e para além disso eu sempre tive uma veia meia inconveniente portanto já estou a entrar numa fase que não quero nem saber.)

Vivemos num mundo em que desde que nascemos somos bombardeados com mensagens da sociedade que nos dizem o quão importante é ter um marido, filhos, uma família (em forma de filmes, de livros, de professores, de família, de estado, etc).


São uns falsos. Andam a enganar-nos. Não se deixem levar!


O mundo está feito para o foco ser na produção, trabalharmos mais, querermos mais, comprarmos mais ... e, no fim, termos menos tempo para as usufruir.
Eu sempre soube disto. Aliás, eu sempre ouvi falar disto. E acreditei nisto.
Mas, nunca tinha sentido verdadeiramente isto na pele.

A minha história foi assim: pouco tempo antes de sair para a minha licença de maternidade tinha pedido um aumento de ordenado por motivos que eu acreditava fazer sentido, e eles naquela altura concordaram.
Foi-me dito que quando voltasse de maternidade que se falaria no assunto porque efetivamente o pedido era pertinente e fazia sentido ser considerado.
Infelizmente por questões médicas tive de meter baixa 2 meses antes da licença de maternidade.

Depois lá passei por todas as experiências que uma mãe de primeira instância passa nos primeiros meses de vida de um bébe e que eu acho que só acrescenta valor ao carácter de uma mulher.
Lá voltei passado os 7 meses (2 de baixa mais 5 de licença) com a energia típica de mulher, mãe de um recém nascido, trabalhadora e com a garra e a vontade de fazer mais e melhor porque estava a passar dos momentos mais felizes e fortes da minha vida. Acabava de ter um bébe e quer dizer se isto não é uma vitória moralizante na vida de uma mulher, o que é que é?
Foi passado um ou dois meses, quando tive de puxar o assunto do tal aumento já discutido anteriormente e que teve concordância, que me caiu a grande ficha.
Eu não acreditei quando uma mulher da chefia me calou completamente com esta resposta compreendida por estas palavras seguidas umas das outras:
"Não te podemos aumentar agora porque não sabemos se és a mesma pessoa que eras quando saíste daqui há cerca de 7 meses para seres mãe, podes não estar igual."
Uma mulher  que poderia/deveria ter uma maior empatia pela minha situação em pleno século XXI responde-me isto.

A verdade é que de facto as mulheres ainda são descriminadas por serem mulheres.
Obrigam uma mãe a por um bébe na escola ao fim de 5 meses, consideram que uma mulher depois de ser mãe tem menos valor e que embora tenha uma familia maior e mais custos, não merece ser aumentada, e ainda quando pedi para que me permitissem entrar mais cedo para conseguir sair mais cedo para estar mais tempo com a minha filha, me disseram que isso era impossivel e que podia entrar mais cedo mas teria sempre de sair às 19:00.

Um mês depois desta conversa estava a despedir-me. Um segundo depois desta conversa estava a dar valor ao Dia da Mulher.

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Este dia existe porque, ao contrário do eu acreditava, ainda não conseguimos que todos os dias fossem de todos os sexos.

O Dia da Mulher ainda tem de existir para nos relembrar que esta luta ainda está viva e que nós não vamos baixar os braços até ao dia em que o Dia da Mulher seja, efetivamente, todos os dias.

A mãe.

 

Um desabafo alimentar

Estou perdida neste novo regime alimentar em que não conheço 98% dos ingredientes das receitas da maior parte das bloggers/instagramers partilham e que já uma boa parte das pessoas que conheço segue à risca.

Até agora ainda não arranjaram nenhum nome fancy para o sal q.b. e a pimenta q.b. mas qualquer dia já nem esses eu consigo identificar. 

 

Primeira grande questão é: nem toda a gente tem tempo nem vontade de estar no ginásio mais de metade do dia a queimar tanta proteína que se recomenda nas receitas que por aí andam. O comum mortal tem trabalhos das 9 as 6 com pausa para o almoço sendo que o dia se passa sentadinho com o rabo na cadeira a escrever no teclado. Não precisamos dessa energia toda! 

A segunda questão é o poder do abacate. O abacate e o seu suposto sabor delicioso. Sou só eu ou o abacate não é assim tão delicioso que se justifique hipotecar a casa para comprar 1kg todos os dias? Malta, isto é grave - no Reino Unido vendem-se mais abacates do que laranjas. 

Já não se fazem bolos ou mousses ou outras sobremesas de chocolate com a clássica tabelete pantagruel. Naaaaa isso é muito impuro. Só com pepitas de cacau exótico. Tudo o que venha abaixo disso é cocó. 

 

E isto é uma lista interminável, desde os sem glúten, sem lactose, sem proteína animal, sem isto, sem aquilo, só com bróculos do Éden, pão de quinoa, leite vegetal (o de vaca é quase crime!), tomates cherry tricolor (o vermelhos estão demodé), zoodles (esparguete normal é muito 2015) e coentros apanhados no topo dos Himalaias por jovens Budistas.

Tudo tendências ditadas por um qualquer guru que escreve mais um livro de receitas e dicas consideradas como super mega saudáveis que o vão fazer ser uma pessoa muito mais pura e bonita.

 

É normal que uma pessoa se sinta perdida neste mundo completamente disfuncional em que por um lado, temos este disparate de extremismo que me faz sentir uma criminosa quando num restaurante escolho batata normal em vez de doce. Por outro, temos um supermercado tipico ocidental com tudo aquilo que sabemos que nos anda a tirar saúde e a matar aos poucos.

 

Chega a ser ridicula a forma como as grandes marcas alimentares encaram os seus negócios.. fazem do Escobar um gaiato no business. A Nestlé devia ter vergonha de vender iogurtes para bebés de 7 meses (aqueles que ainda são com leite adaptado) carregados de açúcar. Já para não falar dos cereais e snacks para criança. Como dizia um artigo que li há uns dias, fomos presenteados com "banquetes de veneno" doces ou salgados, dados por estas multinacionais, e perdemos a confiança em qualquer artigo científico ou organização de saúde. Todos sabemos que estes são financiados pelas tais multinacionais que são piores que o Pablito.

 

A escolha entre o supermercado mais nocivo que Hiroshima e as sementes de chia parece fácil não é? Mas e o que sabemos nós sobre esta dieta clean and cool que tanto se tem falado ultimamente? Acho importante perceber mais antes de entrar em grandes extremismos. E mais, uma coisa que não é preciso um curso de nutrição para saber, é que cada corpo, cada estilo de vida, precisa de um tipo de alimentação específica que pode não ser o mesmo daquela blogger que tanto achamos graça.

 

Não queria terminar sem dar:

- uma salva de palmas para as pessoas que ainda tentam ter uma dieta relativamente equilibrada onde evitam comer animais mal tratados, mas não se importam se ir ao Mcdonalds quando a noite anterior foi complicada;

- uma salva de palmas aos gurus que tornaram a beterraba num alimento não só comestível como muito apreciado pelo mundo ocidental fora. 

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 A mãe

Amiguinhos é que mandam nisto.

Quando o bebé nasce ninguém avisa de uma data de coisas, a verdade é essa! Uma dessas coisas é o tipo de amizades que a nossa cria vai ter e de que forma serão tão importantes na vidas dela. Estou claro a falar do urso de peluche do Winnie the Pooh!

 

Este monte de pêlo cor de laranja que tem mais um palmo de altura que a nossa filha é por vezes o elemento da família (sim, eu disse que o peluche era um elemento da família...) mais importante para ela. Se chegamos a casa depois de um fim de semana fora ela quase que se atira do nosso colo para cima dele, abre os braços e dá-lhe um Xi-coração sentido de bochecha escrachada no peito do bicho. De seguida eu tento aproveitar o momento de carinho para lhe sacar um abracinho para mim... "dá um abracinho ao pai" que tem como resposta um virar de cara e possivelmente um empurrar de braço do tipo "sai daqui oh meu".

 

Outro exemplo da importância deste melhor amigo é o facto de quando perguntamos a ela pelo Pooh rapidamente liga o radar e olha á volta como se a vida depende se disso e quando o encontra estica o braço e o dedo indicador com uma rapidez e impulso que parece que vai deslocar o ombro. Mais uma vez eu e a mãe tentamos capitalizar o momento para nós "E o pai, onde está o pai?"... zero, nem dedo nem braço nem sequer uma reação facial, olha para mim como se eu fosse um bocado de rocha que ali apareceu.

 

E se o Pooh é o irmão mais velho então o Nenuco com 20 e tal anos que era da mãe e que nós tão criativamente apelidámos de "bebé" é a irmã mais nova. Tem direito ao mesmo excitamento de braços quando se pergunta por ela e também leva uns abracinhos sem fazer nada por isso. A diferença é que a bebé leva porrada que ferve e é arrastada pela sala pelos pés enquanto a nossa exploradora navega a divisão da casa.

A pergunta que eu coloco é a seguinte, todos os amigos vão ser mais importantes que eu sempre, a vida toda? Até os inanimados?!

O pai.

Levar a casa às costas

Sempre fui menina para estar perto de uma horinha a fazer uma mala para ir de férias. Lembro-me do meu pai e da minha mãe me perguntarem, com o ar mais irónico de sempre enquanto carregavam as malas de chumbo para o carro, se eu por acaso não me tinha esquecido de levar a torradeira porque podia fazer falta.

A verdade é que nunca me poupei nas coisas que levava, sempre fui gozada por isso mas o certo é que não havia nada que faltasse. E eles lá alinhavam nas minhas loucuras e acartavam aquilo tudo sem refilar tentando que a ironia fizesse algum efeito em mim, mas não. Acho que quanto mais crescia mais coisas levava.. afinal nunca se sabe se umas torradinhas vão fazer falta.

 

Os anos passaram e.....

 

Com um filho, como devem calcular, isto tornou-se uma doença e hoje tive 4 horas, e não estou mesmo a brincar, para preparar umas férias de 5 dias no Algarve. Entre fazer comida para 5 dias para uma pequena alarve que come por 3 adultos, uma mala com 2 mudas de roupa por dia mais a possibilidade de estar frio e a possibilidade de estar calor, um saco com os brinquedos preferidos e os não preferidos porque cada dia prefere um diferente, um necessaire com o necessário para sobreviver a um febrão repentino, tosse, constipação e picadas de mosquitos entre todas as outras coisas básicas que ela precisa para manter o status "cheirinho a bebé"..

Entre isto tudo, e muito mais que não vos cansar, nos últimos 15 minutos destas 4 horas, atirei para uma mala daquelas pequenitas de voar na easyjet, a meias com O Pai, uns vestidos e uns bikinis e fiquei feliz por ter um espacinho no carro para as minhas coisas.

Entrei no carro e pensei... coitados dos meus pais! =P

A mãe.

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A tortura do sono.

Antes de ser mãe achava que a privação de sono era um tipo de tortura que só existia lá para os séculos medievais onde não havia direitos humanos nem civismo. Engano, mas que grande engano.

A privação do sono é, sim, uma tortura muito presente e não é feita por mauzões grandes e com força para nos torturar até à morte. É feita por serezinhos mínimos, com a rapidez de uma tartaruga e com força apenas para arrancar cabelos.

É contínua no tempo e nunca acaba, nem mesmo quando dormem benzito numa noite. Porque acordam invariávelmente às 7 da manhã, seja feriado nacional ou um dia normal de trabalho.

 

Sim, porque quando vais para o trabalho depois de uma maratona de noites más estão reunidas as condições perfeitas para homícidios qualificadíssimos!

Porque chegas de manhã e alguém diz: "Aiiii amigaaaa ontem tive uma insónia e só dormi 8 horas. Estou tão cansada! [boceja]" e fazes um esforço para não adormecer e deixar a cara cair para dentro do segundo balde de café matinal e dizes com uma pena puxada a ferros: "Coitada de ti, amiga.". Isto enquanto cortas um bocadinho o pulso direito.

 

Para além dos pulsos, também há aquelas facadas que vais levando nas costas cada vez que falas com uma mãe cujo filho dorme lindamente, noites todas, sempre, desde que nasceu, não chora e é um santo. É um misto de "que bom!" com "que cabra!". 

Mas a verdade é que ninguém sabe o que isto é até passar realmente por isso, coitadinhas....

 

Quando expões este teu problema a alguém, porque realmente é uma coisa que está a afetar a tua saniedade mental e não sabes como estás de pé quanto mais a expôr alguma coisa, e recebes conselhos completamente díspares como: "deixa-a chorar que ela aprende" e "não a deixes chorar isso é coisa da época medieval, deixa-a dormir na tua cama". 

 

E nós vamos fazendo um bocadinho disto e um bocadinho daquilo a tentar que a monstrinha do sono ganhe cabedal para acordar a meio da noite e não precisar que um de nós lá esteja para a adormecer. 

Tem estado melhor, aliás só porque está melhor é que estou às dez da noite cheia de energia para escrever este post. Mas como dá azar falar, não falemos sobre o quão melhor ela está. 

 

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Falemos de uma noite típica cá de casa.

Como não há cá desigualdade de género e não vivemos na tal época medieval a regra é estarmos de alerta noite sim, noite não.

Noite sim: estás quase a entrar no sono profundo, mas ainda a tentar desligar do dia e de todas as mil coisas que fizeste, estás quase quase a adormecer, mesmo quase e .... e ouves um uuuuééééé... esperas um/dois minutos........ O uuuuééé parou, porreiro voltas à estaca zero de tentar desligar do dia....

ou

O uuuuééé não parou, levantas-te se, vais ao quarto dela, metes a chucha, dás o peluche de dormir para ela não se agarrar logo à tua mão e não largar nunca mais e vais em pézinhos de lã, fazendo as maiores figurinhas do mundo para não fazer barulho até à cama e tentas novamente desligar do dia. Agora é isto em loop até ser de dia e ser "aceitável" levantar de vez.

 

Um destes repetidos dias em que o uuuuééé não parou, disseram-me com toda a razão do mundo - sabes que alguém está a dar as últimas quando veste a roupa ao contrário e se esquece constantemente de tirar o travão de mão. E isto já me aconteceu mais vezes do que eu esperava portanto quando quiserem ofercer um presente de aniversário, natal ou só porque sim deixo aqui uma lista dos essenciais:

- Roupa para homem e mulher sem etiquetas nem costuras interiores,

- Anti-olheiras ao kilo que aqueles minimos da Kiko já não rendem,

- Umas horinhas de serviço de babysitting.

Agora vou dormir que já está a contar.

Bons sonhos!

A mãe.

 

Quando a personalidade emerge.

Quando é que um bebé começa a ganhar personalidade? Quando é que se sabe que o bebé tem vontades próprias e gostos especificos? Cada bebé é único e tem o seu timming mas todos têm em comum uma coisa, avisam claramente quando esta fase começa.

 

A nossa filhota tem agora 5 meses e picos, já se senta durante 2 segundos antes de cair para o lado, já come sopinhas de legumes sem saboronas e já sabe muito bem o que quer fazer durante o dia: quer roer cenas diversas, pegar em brinquedos para os atirar para o chão e bater com a mão direita com toda a força naquilo que estiver no alcance da mão direita. 

 

Tivemos uns primeiros meses chatos por causa de cólicas mas tudo isso passou. Agora já somos todos amigos cá em casa e a minha bonequinha acorda, faz barulho e mal uma cabecinha aparece no seu campo de visão esboça um sorriso espectacular de orelha a orelha e bate as perdas como se estivesse a nadar de costas. Ela sabe que das duas uma, ou vai comer ou vai começar o dia.

 

Este sorriso é uma coisa cada vez mais presente e o que exprime é inexplicável. Por exemplo, a mãe começou agora a trabalhar e quando chega a casa é recebida com um sorriso tão grande que até os olhos se fecham. Ela sabe que a mãe é igual a miminhos e brincadeira, a maior cúmplice.

 

A expressão de felicidade aparece com sorrisos rasgados ou de boca aberta, possivelmente seguidos de umas mãos em frente da boca e um virar de cara que até parece que se está a fazer de difícil. As situações são cada vez mais e mais especificas.

Existe um excitamento instantâneo quando meto o peluche a tocar a música holandesa (sim holandesa.. é o que há e ela não percebe português também por isso tá óptimo). Quando mostro o biberão a felicidade é de tal maneira avassaladora que rapidamente se torna em raiva e frustração por ainda não estar a comer. Quando faço um cucu duas ou três vezes seguidas é possível que saia uma gargalhada. Quando meto o pé dela todo na boca fica a olhar para mim com cara de espanto uns segundos e depois logo sorri. A brincadeira é cada vez mais um momento consciente e pedido por ela.

 

Ela sabe o que quer de tal forma que já não está tranquilamente ao colo sem parecer um farol ou esticar os braços em direcção a coisas que lhe chamam atenção.. como o telemóvel ou uma almofada com cor ou mesmo aquela interessantíssima maçaneta da janela.

Na verdade às vezes parece que estou a agarrar uma enguia que se mexe e dobra toda. Mudar a fralda já não é aquele momento calmo entre pai, filha e cocó de antigamente.. existe sempre qualquer coisa super interessante a acontecer por cima da cabeça dela e ela tem de ver o que se passa ali, rodar o corpo e esticar os braços. Ter cocó na fralda não é nenhum impeditivo.. cocó nas meias é uma baixa no vestuário aceitável para ver mais uma vez aquele super importante pacote de dodots que existem na vida dela desde que ela nasceu.

 

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Mas claro que o mundo não é cor de rosa (depois de introduzir sopas não é MESMO!), e tal como tem sorrisos e gargalhadas quando está feliz e contente, também já sabe bem mostrar que não gosta ou não quer fazer alguma coisa.

 

O choro foi trocado por berros, não quer dizer que não chore, mas hoje em dia há a distinção clara do choro e do berro. E o berro felizmente só aparece quando existe sono. Fica farta das brincadeiras, de estar sentada na espreguiçadeira ou na cadeirinha, farta de estar ao colo, farta de mascar naquele peluche que era fofinho em tempos mas que agora parece que tem uma constante camada de gel em cima...

E assim que começa a ficar farta começam as raivinhas e uns barulhos estranhos como quem está a fazer cocó mas não consegue (por vezes é isso mesmo que está a acontecer coitadinha... autênticas bolas de golf), depois começa a abanar-se e de repente é uma explosão terrível de berros como se alguém lhe tivesse pisado o dedo mindinho (ninguém pisou nada a ninguém e acho que os bebés são um pouco dramáticos.. anseio pelo momento que ela vai entender quando digo "Já vai.."). É geralmente nestes momentos que eu ou a mãe dizemos quase em uníssono que ela tem de dormir (um processo muito giro também o de adormecer durante o dia *sarcasmo*).  

 

A fome não é tanto o berro mas é mais um choro inconsolável. Começa a chorar com intensidade da mesma forma que um carro de F1 vai dos 0 as 100 num segundo. Depois de se pegar ao colo e fazer uma palhaçadas lá nos lembramos de olhar para o relógio e dizer "AH! mas já são 16h30 ela tinha de comer à 30min!". Só existe silêncio novamente quando ela está a virar 210ml de biberão. Coitadinha da miúda.. mas a vida tem destas coisas.

 

Recentemente também começa a chorar se está ao colo de alguém que não conhece bem e de repente se vê num contexto desconhecido e sem o pai ou a mãe à vista. Lança o alarme bem alto e esse choro até traz soluço à mistura. Parece que a abandonamos quando a tia a levou à cozinha um minutinho... (é o que eu digo.. dramáticos...).

 

Amo a minha Escorpião que ri com a cara toda e berra com pulmões de tenor e só posso imaginar a personalidade que vem ai.

 

O pai.

"Não a mimes muito senão habitua-se mal"

Vamos lá ver se nos entendemos com a história do mimar uma criança recém nascida num post curto mas valente.


Ora bem, então uma pessoa tem um bebé que quando nasce cabe praticamente numa mão e é suposto "não mimar muito porque senão habitua-se mal".

 

Vamos por partes!

 

Primeira parte ... o que pergunto é: mas o que significa mimar?
- Não lhe devo pegar ao colo quando ele chora? Devo deixar a chorar até que ele, que tem uma consciência dele próprio e uma capacidade de se acalmar enorme, ganhe juízo e pare de chorar?
- Também não lhe devo por a chucha se cair durante a noite? Devo ensinar um ser que se assusta com os próprios espirros a por a sua própria chucha. Faz-te um homem pá!
- Devo adormece-lo com barulho e no meio da confusão! Porque faz todo o sentido para mim deixar uma criaturinha, que acabou de sair de uma barriga e os únicos sons que conhece são os barulhos estranhos do estômago da mãe com fome, no meio do povo todo a tentar dormir uma sesta descansada. "Ah mas depois não se vai habituar!" - agora a sério - não se vai habituar a quê? A dormir no meio de um festival de música e de um jantar de natal da empresa? Cá em casa dorme-se no silêncio e no escuro, seja bebé ou pai (sim porque a mãe tem sempre que levar com o ressonar do pai).

 

Outra coisa sobre a qual gostava de refletir é a segunda parte de frase: "depois habitua-se mal".
Aqui tento imaginar a minha filha com 20 anos a pedir que a adormeçam ao colo ou que lhe ponham a chucha ou que liguem um rádio porque não consegue dormir sem barulho. Não tive o prazer de ter nenhuma amiga nestes preparos, portanto tento ter empatia e por-me no lugar da pessoa que faz este comentário. Não consigo...

 

Mas se não é suposto mimarmos os nossos filhos (especialmente quando são bebés bem cheirosos, com peles macias e ainda não são adolescente a cheirar a hormonas, cheios de borbulhas e outras coisas feiosas) então é suposto fazermos o quê com eles?

Agora queres ver que anda meio mundo enganado e o suposto é arranjarmos daqueles berços que abanam e cantam músicas de embalar sozinhos, atiramos o puto lá para dentro, arranjamos umas chuchas que se prendem à língua e pronto vamos à nossa vidinha?
Será esta a solução de toda a boa gente que diz "olha tu não o mimes muito que senão estas tramada!"?

 

A mãe (tramada).

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Para ti, mãe de primeira viagem.

Para ti, mãe de primeira viagem:

 

Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

 

Vais sentir que não és capaz de cuidar de um ser tão pequenino. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que os dias são muito longos mas ao mesmo tempo muito curtos. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que estás sozinha grande parte do dia, mesmo que estejas sempre acompanhada. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que não consegues ter outra noite a acordar hora em hora. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que o teu peito vai rebentar e que mais pareces uma vaquita do que uma mulher. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que se não fizeres as escolhas corretas o teu bebé vai sofrer. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir uma vontade enorme de fazeres as tuas malinhas e fugir um ou dois dias. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir-te insegura, muito insegura. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que o bebé da vizinha come melhor, dorme melhor, faz cocó melhor do que o teu. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir fome porque te esqueces de comer, sono porque te esqueces de dormir. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que se calhar não era nada disto que querias. Não era nada disto que estavas à espera. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir-te gorda, flácida e sem graça. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que tens de escolher entre pôr amaciador ou lavar os dentes. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que estás a perder todas as jantaradas até às tantas e todas as festas fixes. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que a vida te está a passar ao lado e que o pijama às vezes fica de manhã para a noite. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que toda a gente tem uma opiniãozinha sobre a forma como educas o teu filho. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que o tema para o qual tens mais conversa é o cocó de bebé. O Trump? Quem é esse? Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que demoras dois dias a ver um episódio de uma série. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que já não consegues mais ouvir chorar hoje. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir que não és capaz. Que nada passa. Não te preocupes, tudo passa e tu és capaz.

Vais sentir .... amor, amor muito amor. E isto sim, nunca mais vai passar.

Tu és capaz.

 

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Mãe.

 

 

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